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"FRANCISCO FREIRE ALEMÃO – CIENTISTA DO MENDANHA"

Francisco Freire Alemão nasceu em 24 de junho de 1797 no Engenho do Mendanha situada na Freguesia de Nossa Senhora do Desterro em Campo Grande, sendo afilhado de padre Antonio Couto da Fonseca, proprietário do Engenho do Mendanha.

O menino Francisco viveu com a natureza na sua Mendanha, paixão que manteve até a morte, região que hoje pertence à Mata Atlântica ainda de rara beleza.

Francisco na sua vivência reconhecia os animais que viviam na região, assim como suas propriedades, como uma iniciação com a “scientia amabilis”, a botânica de que foi mestre, procurava imitar o cientista frei José Mariano da Conceição Velloso, que de passagem e estadia na região, conforme informe de familiares, capturava e preparava borboletas e exsicatas de vegetais,

A figura de Frei Velloso guardou na memória sendo homenageado na classificação botânica do Pau Pereira Geissospermum Vellossii.

Receando que o jovem Francisco fosse recrutado, sua mãe D. Angélica conseguiu a proteção de padre Pereira Duarte que recebeu o jovem como sacristão da igreja matriz como seu protetor começou a aprender gramática latina muito importante no futuro como botânico, e servia para ministrar latim em aulas particulares para rapazes e primeiras letras a algumas meninas.

Seu irmão mais velho Antonio que trabalhava como enfermeiro no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, passou a proteger e estimular por estudos que passaram a interessar Francisco a estudar medicina.

As dificuldades financeiras foram auxiliadas por Antonio, e no seu desejo de estudar medicina na França conseguiu viajar em belonave francesa, cuja viagem durou cerca de 90 dias e serviu para melhorar o seu francês, permitindo passar no primeiro exame com nota satisfatória e conseguir depois de outros exames completar o curso e sua diplomação em medicina. Voltando ao Brasil estava fundada a Faculdade de Medicina e aberto concurso para professor. Francisco Freire Alemão inscreve-se logo para a cadeira de Botânica e Elementos de Zoologia, sendo aprovado catedrático de disciplina em 1833.

Na aula inaugural de Freire Alemão, achou o momento excelente para uma demonstração pública de reconhecimento a seu irmão Antonio, modelo admirável de amizade fraterna, Freire Alemão colocou seu irmão a sua direita a cátedra e entregou ao seu irmão a bela coroa de honra com quem havia sido homenageado.

Fato importante na sua vida foi quando Dom Pedro II precisou do médico da corte ausente, e recebeu o Doutor Freire Alemão, e o distinguiu como Médico da Corte. Freire Alemão teve a sua disposição à biblioteca da corte.

D. Pedro II passou a admirar o novo médico, tornando-se seu amigo na coleta de material botânico, nos arredores da Quinta da Boa Vista, Tijuca, Andaraí, Grajaú, etc.

Quando o Conselheiro Bulamarque morreu, D. Pedro II nomeou-o Diretor do Museu Nacional que dava direito a residir no Museu, mas Freire Alemão não quis desalojar a viúva e seus filhos tão pobres quanto o novo diretor.

Acontecimento importante na sua vida foi à viagem a Nápoles como membro da comitiva encarregada de conduzir para o Brasil a futura Imperatriz Tereza Cristina e a comissão científica para fazer a exploração sistemática das regiões cearense, elaborando com auxílio de seu sobrinho Manoel Freire Alemão “Trabalhos da Comissão Científica de Exploração – Seção Botânica.”


Casado com a sobrinha Maria Angélica foi residir na vivenda no Sítio Porangaba, no Mendanha onde ainda existe os restos da casa do Alemão, como é reconhecida pela população.

Para ministrar as aulas na cidade, ia de cavalo até a estação de Sapopemba, hoje Deodoro, voltando a residência no Mendanha.

A doença se agravou, não podendo mais sair da cama, quando foi visitado pelos seus grandes amigos, Saldanha e Gama e Manoel Macedo, que não mais os reconheceu.

No dia 11 de novembro de 1874, depois de um grande derrame cerebral, expirou nos braços de sua amada sobrinha e esposa, que nunca cessará de lhe prodilizar extremo afeto e carinho.

Numa pra ça em Campo Grande, consta à efígie de Francisco Freire Alemão e a placa com os dizeres : “Honra do Brasil – Glória do Mundo, seus conterrâneos referenciam sua memória".

Nuno Álvares Pereira
Prefácio do Livro "Francisco Freire Alemão - Cientista do Medanha"





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