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No Ano Internacional da Química, XVII Escola de Verão marca presença no ensino da Química Farmacêutica Medicinal

Por Lúcia Beatriz Torres

Em 2011, comemora-se o Ano Internacional da Química e a Escola de Verão novamente volta às aulas, em sua 17a edição, marcando presença no ensino da Química Farmacêutica Medicinal. Tradicionalmente organizada nas férias acadêmicas pelo Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas (LASSBio) da UFRJ, a Escola Verão já entrou para o calendário das Ciências Farmacêuticas consolidando-se como um importante fórum de atualização da disciplina.

De 24 a 28 de janeiro a XVII Escola de Verão recebeu, no Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ, em torno de 150 estudantes de graduação e pós-graduação de diversas partes do Brasil, e também da América Latina, para uma verdadeira maratona científica em pleno Rio 40a graus. Ao todo foram ministrados 6 cursos (sendo um tutorial) e 5 conferências em que especialistas brasileiros e estrangeiros se revezaram para trazer aos estudantes discussões sobre temas de fronteira da Química Farmacêutica Medicinal. 

Foto: Lucia Beatriz Torres

           Abertura da XVII Escola de Verão em
Química Farmacêutica Medicinal


Com uma multi e interdisciplinaridade de temas, a XVII Escola de Verão foi desde a “Introdução à Química Farmacêutica Medicinal”, passando pelo “Metabolismo de Fármacos e Interação Medicamentosas” e “Farmacologia da dor e analgesia”, mergulhou no virtual com o “Química Computacional e Modelagem Molecular” compartilhando o conhecimento estrangeiro no “Highlights in Medicinal Chemistry”, finalmente, chegando até a ponta da cadeia da inovação no curso “Do grama ao Kilograma: Desafios de uma ampliação de escala".



Um time de peso para dar as boas-vindas

Para dar as boas-vindas, a cerimônia de abertura da XVII Escola de Verão contou com a presença de representantes da UFRJ e da Sociedade Brasileira de Química (SBQ). Quem diria que uma Escola planejada para acontecer durante as férias acadêmicas de verão daria certo e suas vagas seriam tão disputadas? Os 17 anos do evento foi um feito destacado por quase todos os presentes na mesa. “A Escola de Verão é um dos eventos mais significativos na extensão universitária do CCS, um marco na integração efetiva do ensino e pesquisa da UFRJ com outras universidades do Brasil e do exterior” – destacou a Profa Diana Maul, coordenadora de Extensão do CCS.

O Prof. Marco Edilson Lima, diretor da Divisão de Química Medicinal da SBQ destacou o efeito multiplicador da Escola de Verão no interesse pela disciplina. Já o prefeito da Cidade Universitária, Hélio Mattos, chamou a atenção para o papel fundamental do evento na formação de quadros na Química Farmacêutica Medicinal: “Em várias instituições de ensino do País você encontra professores e pesquisadores que já participaram da Escola de Verão. O que mostra que o evento já foi responsável por influenciar a trajetória científica de muitos de seus ex-participantes”.

Intercalando a programação dos cursos, sempre próximo a hora do almoço, a Escola de Verão tem por tradição apresentar conferências com renomados especialistas que apresentam temas de destaque nos avanços mais recentes na Química Farmacêutica Medicinal. Esse ano, para inaugurar o Ciclo de Conferências, a Escola de Verão trouxe para berlinda empresas que patrocinaram a vinda dos pesquisadores para o evento, entre elas a SINC do Brasil, Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos Ltda, Tedia Brazil e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-INOFAR).

Foto: Lucia Beatriz Torres

           Platéia ficou sempre lotada no Ciclo Conferências


Se não fosse o patrocínio das empresas seria praticamente inviável receber os palestrantes internacionais. Uma oportunidade única para os estudantes, sobretudo de graduação, entrarem em contato com pesquisadores de ponta na área” – destacou o coordenador da Escola de Verão, Prof. Eliezer Barreiro (LASSBio/UFRJ), rendendo tributo às empresas que se associaram a iniciativa do evento. Nesta 17a edição, o Ciclo de Conferências foi ministrado por 5 diferentes especialistas, sendo dois do exterior: Rob Leurs da Vrije Universiteit (Holanda) e Cristiano Guimarães da Pfizer (EUA). Para saber mais sobre os temas apresentados, acesse a matéria especial sobre as conferências da Escola de Verão.

Foto: Lucia Beatriz Torres

           Flavia Redko (Argentina) e Guzman Touron (Uruguai)


Com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-INOFAR), nessa edição a Escola de Verão pode, pela primeira vez, oferecer bolsas de estudos aos seus participantes. Por indicação do Programa Iberoamericano de Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento (CYTED), a Escola trouxe dois jovens pesquisadores da Argentina e do Uruguai. A convite da Comissão Organizadora do evento veio uma professora da Universidade Estadual Roraima. Estudantes do Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Paraíba e Minas Gerais também foram contemplados com a bolsa que favoreceu a vinda de alunos de localidades mais distantes do Rio de Janeiro.



Uma semana inteira de cursos e conferências

Conhecer a relação entre a estrutura química dos fármacos e suas atividades terapêuticas é o primeiro passo que se dá no estudo da Química Farmacêutica Medicinal. Aprofundando conhecimentos básicos da disciplina, todos os anos a Escola de Verão oferece dois cursos que apresentam os fundamentos da área. Com carga horária mais elevada e maior número de inscritos os cursos “Introdução à Química Farmacêutica Medicinal” do Prof. Eliezer J. Barreiro e “Metabolismo de Fármacos e Interações Medicamentosas” da Profa. Lídia M. Lima, ambos do LASSBio/ UFRJ, já podem ser considerados um sucesso na Escola de Verão.

Espero que depois desse curso vocês não se espantem mais com as moléculas” – brincou o Prof. Barreiro. Mas o que chamou a atenção do estudante do 2o período de Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) foi a questão do metabolismo. “Apesar de ser um dos mais novatos na Escola estou conseguindo acompanhar, principalmente, a área de química orgânica. Quando vi a parte de metabolismo eu falei: nossa que incrível! Achei muito interessante” – declarou Douglas Klein.

Voltado para os estudantes de pós-graduação, o curso “Highligths in Medicinal Chemistry” é apresentado na Escola de Verão, desde 2003, sempre por um especialista estrangeiro que vem dissertar sobre a pesquisa que está desenvolvendo no momento. Esse ano foi a vez de Rob Leurs da Holanda aprofundar durante o curso o tema exposto no Ciclo de Conferências. “Na Escola de Verão a gente pode ter a oportunidade de conhecer profissionais renomados não só no Brasil como no exterior. Isso abre muito nossos horizontes profissionais” – observou Thiago Sobral Damião, estudante da Universidade de Cuiabá (UNIC), pleiteado com uma bolsa de estudos no evento.

Aprendendo na prática. No tutorial “Química Computacional e Modelagem Molecular” os alunos colocaram a mão na massa, quer dizer, no computador. Seguindo o passo a passo de um guia desenvolvido especialmente para o curso, os estudantes se familiarizaram com programas de química computacional e puderam desenhar moléculas tendo como base a estrutura de um bioreceptor. “Através dos estudos de ancoramento molecular, como este que os alunos estão praticando no tutorial, é possível fazer um teste farmacológico virtual e encontrar o melhor ajuste entre duas moléculas” – observou a Profa. Nelilma C. Romeiro, do LASSBio/UFRJ.

Foto: Lucia Beatriz Torres

           Tutorial “Química Computacional e Modelagem Molecular


Nesta edição, a Escola de Verão inseriu em sua programação o tema “Farmacologia da dor e analgesia: novos alvos para o desenvolvimento de fármacos analgésicos”. Para ministrar o curso, convidou um professor da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto. Especialista no assunto, Thiago M. Cunha falou sobre novas perspectivas para o desenvolvimento de fármacos analgésicos. “Trabalhar com dor não é tão simples, pois os animais não falam o que estão sentindo. Nós temos que prestar atenção no seu comportamento para detectar a dor” – explicou. No curso, além dos novos alvos farmacológicos, o professor também apresentou aos alunos os principais modelos animais que estão sendo utilizados na descoberta de novos fármacos analgésicos.

Dominar as técnicas básicas para transposição de escala é um conhecimento importante para os químicos medicinais que desejam aproximar a indústria farmacêutica das substâncias descobertas em ambiente acadêmico. Consciente disso, a XVII Escola de Verão convidou o Prof. Ângelo Machado, do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB), para ministrar o curso Do grama ao Kilograma: Desafios de uma ampliação de escala”. Nas aulas, o professor da UnB demonstrou que fazer algumas modificações nas etapas das reações químicas podem facilitar, e muito, a interação com a indústria farmacêutica.



Quebrando a rotina da sala de aula

Quebrando a rotina da sala de aula, a Escola de Verão foi encerrada com uma exposição de pôsteres do Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas (LASSBio) apresentados em congressos ao longo de 2010. Para complementar, os alunos puderam fazer uma visita guiada ao laboratório anfitrião do evento para conhecer de perto aonde esse conhecimento vem sendo construído dentro da UFRJ. Uma visita que matou a curiosidade de muitos estudantes que passaram a semana inteira observando, nos cursos e conferências, as estruturas químicas das moléculas criadas no laboratório.

Foto: Lucia Beatriz Torres

           Turma “Metabolismo de Fármacos e Interações Medicamentosas”



Bonito ver duas gerações compartilhando o conhecimento científico. Nesta 17a edição a Escola de Verão recebeu mãe e filha para uma semana inteira de atividades acadêmicas. “Resolvi vir com a minha filha Soraya porque estou querendo fazer um mestrado na área” – declarou a mineira Rosangela Oliveira, formada em enfermagem e biologia, que durante a visita ao LASSBio relembrou os seus tempos de Técnica de Laboratório.

Interessante também notar a presença de quase turmas inteiras de uma mesma faculdade na Escola de Verão. Esse foi o caso da galera da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ex-aluna da Escola de Verão, agora professora da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC), Patrícia Amaral trouxe seus estudantes para ter a mesma vivência que ela na Química Farmacêutica Medicinal. Já a Prof. Cléria de Moraes da Universidade Estadual de Roraima (UEER) voltará para o Norte com uma difícil missão - transmitir para os seus alunos de química tudo o que aprendeu na Escola de Verão.

Reunindo participantes de múltiplas formações como farmácia, química, biologia e outras áreas afins, de diferentes partes do País e também do exterior, a Escola de Verão por mais um ano consecutivo promoveu um precioso intercambio de sotaques e experiências acadêmico-científicas na área da Química Farmacêutica Medicinal. É a contribuição do LASSBio para formação de futuros profissionais do fármaco & medicamento, em uma área multidisciplinar de pesquisa que tem grande potencial para trazer benefícios diretos para saúde da população brasileira.


Mais informações: XVII Escola de Verão em Química Farmacêutica











































































































































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