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SEM ANIMAIS, NÃO HÁ PESQUISA
Campanha promovida por cientistas esclarece população sobre uso ético de animais no ensino e na pesquisa científica


Por Lúcia Beatriz Torres

Por que, apesar dos inúmeros avanços da tecnologia, a Ciência ainda precisa usar animais de experimentação para a descoberta de novos medicamentos? A fim de esclarecer a população brasileira sobre a importância do uso de animais na pesquisa biomédica, entidades científicas uniram esforços para lançar a campanha “Sem animais, não há pesquisa”. Comercial de TV, spots em rádio, história em quadrinhos, página de internet e mídias sociais foram as ferramentas escolhidas pelos cientistas para desmistificar porquê são necessárias pesquisas com animais quando se busca avanços na área da saúde.

Mesmo a tecnologia mais sofisticada, nos dias de hoje, não consegue imitar a complexidade das interações entre as células, tecidos e órgãos que ocorrem nos seres humanos. Com objetivo de entender essas interações e facilitar o desenvolvimento de novos tratamentos, a metodologia científica elege os animais – quase em sua maioria ratos e camundongos – como modelo experimental do homem.

Em virtude da complexidade da célula biológica, a medicina humana e também a veterinária são extremamente dependentes do uso de animais de experimentação. A expectativa na comunidade cientifica é de que, no futuro, métodos alternativos sejam viáveis e os animais deixem de ser utilizados na atividade de pesquisa” – declarou Marcelo Morales, professor da UFRJ e coordenador da campanha que pretende dar visibilidade à chamada Lei Arouca.

Criada em outubro de 2008, a Lei 11.794 proíbe maus-tratos e regulamenta a atividade de ensino e pesquisa com animais no País. “O Brasil é o 13o colocado em pesquisas científicas no mundo e ainda não tinha uma lei que regulamentava o estudo com animais. A Lei Arouca coloca o País em um outro patamar, em que o Estado brasileiro protege os animais utilizados em pesquisa” – completou Morales.



Em prol dos animais

Ao contrário do que muitos pensam, a pesquisa científica não trabalha só a favor do ser humano, mas dos próprios animais. Um bom exemplo é a vacina anti-rábica que utilizou por volta de 2 mil cães para que ela fosse desenvolvida e hoje salva, anualmente,  milhões de cães, gatos e outros animais.

Foto: Lucia Beatriz Torres
Portal dos Fármacos - Uso de animais em Laboratório

           O estudo com animais ainda é essencial na pesquisa biomédica



Segundo o Prof. Marcelo Morales, que preside a Comissão de Ética de Uso de Animais no Centro Ciências da Saúde (CCS) da UFRJ, a comunidade científica percebeu que tinha que falar a verdade sobre o que realmente é feito com os animais durante a pesquisa, para que fosse possível desfazer o mito de que o pesquisador é assassino de animais. “Está no inconsciente coletivo da população. Quando você diz para uma pessoa comum que é cientista, ela logo pergunta se você mata ratinhos no laboratório” – desabafou.

E por falar em ratos, por que esses pequenos mamíferos são os mais usados nas pesquisas científicas? O professor Marcelo elucida a questão: “Por eles terem um ciclo de vida muito curto, alguns meses desses animais correspondem a anos de vida dos seres humanos e de outros animais de maior porte. Assim fica mais fácil mimetizar uma vida inteira para fazer os estudos no laboratório. Outro motivo para escolha dos ratos e camundongos seria a semelhança de quase 90% com o genoma humano, o que confere a esses animais um funcionamento de órgãos muito parecido ao dos homens."



Descobrindo novos medicamentos

O comercial da campanha organizada pela Federação das Sociedades de Biologia Experimental (FESBE), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciências (ABC) com apoio do CNPq e do Ministério da Ciência e Tecnologia mostra exemplos reais de pessoas que tiveram suas vidas salvas ou melhoradas por avanços propiciados pela pesquisa com animais. Mariana superou o câncer, João está protegido com as vacinas, Oswaldo beneficiou-se com os progressos da cirurgia.

Divulgação “Sem animais, não há pesquisa”
Portal dos Fármacos - Uso de animais em Laboratório
        A pesquisa científica com animais de laboratório
segue novos rumos para que vidas não parem no meio do caminho

A intenção da campanha é conscientizar as pessoas do porquê a pesquisa científica depende dos animais para que, a partir desse momento, a população brasileira decida se ela está de acordo ou não com esses procedimentos científicos” – explicou Morales, lembrando que a pesquisa com animais garante segurança aos seres humanos, evitando que esses sejam submetidos estudos clínicos com moléculas que já acusaram toxicidade em contato com o organismo animal. “Hoje, quase todos os medicamentos, vacinas e procedimentos da área de saúde são resultado de pesquisa com animais de laboratório” – ressaltou.



Métodos Alternativos

Apesar de por enquanto ser impossível substituir por completo o seu uso, os cientistas tem se empenhado em reduzir o número de animais utilizados em pesquisa, fazendo um planejamento racional dos experimentos. O uso de métodos alternativos que substituam a utilização em ensino e pesquisa é uma recomendação explícita da Lei Arouca. Fotografar e/ ou gravar em vídeo aulas práticas, por exemplo, são iniciativas que podem dispensar a repetição desnecessária de procedimentos didáticos com animais – sugere o capítulo IV da legislação.

O governo brasileiro precisa fomentar linhas de pesquisa para metodologias alternativas ao uso de animais em pesquisa” – enfatizou Morales, explicando que métodos alternativos não são apenas aqueles que substituem por completo o seu uso, mas também os que diminuem o número de animais utilizados nos experimentos. O pesquisador lembra, entretanto, que o método alternativo precisa ter validade científica para que ele possa, com segurança, substituir o teste com animais.

Um grande avanço citado por Marcelo Morales foram os testes de irritabilidade. O que antes era feito em olho de coelho – que chegavam em alguns casos até cegar o animal – hoje são realizados em ovos embrionados. “Com a descoberta de métodos alternativos, cada vez os cientistas estão fazendo com que os testes fiquem mais precisos, evitando o uso de animais” – comentou.



 Lei Arouca

A Lei Arouca regulamentou a utilização de animais em atividade de ensino e pesquisa no Brasil garantindo a segurança e o controle nos experimentos. Pela lei, está vedada a submissão de animais ao sofrimento físico, medo, estresse, angústia, privação de alimento, abandono ou espancamento. Assim como acontece com os seres humanos nos momentos que precedem qualquer cirurgia, os animais também devem ser anestesiados antes dos procedimentos experimentais. “Nós utilizamos animais sempre dentro de um parâmetro ético de pesquisa” – ressaltou o cientista.

Pela nova lei, as instituições que realizam pesquisa com animais precisam se cadastrar no Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal (CONCEA) e constituir uma Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUAS). Antecipando-se quase duas décadas da Lei Arouca, o Instituto de Biofísica da UFRJ, há 20 anos, já possuía um núcleo para avaliar os protocolos de pesquisa com animais. Atualmente, ele responde por todos os experimentos realizados no Centro de Ciências da Saúde da mesma universidade.

A partir de setembro, pesquisadores e instituições poderão se cadastrar no CONCEA através de sua página da internet vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. “Esse cadastro nacional é importante, pois irá vai fazer um raio-x de toda a pesquisa com animais no País. Assim saberemos quais e quantos animais utilizamos e em que tipo de pesquisas. Com o cadastro, o governo terá um controle não só do que é feito, mas também do que pode ser planejado e fomentado, em termos de pesquisa com animais no Brasil” – observou Morales, que preside o Comissão de Ética no Uso de Animais no CCS.

Para ele, todos os debates para aprovação e regulamentação da lei, incluindo o embate com o ativismo, foram relevantes, visto que trouxeram a público as questões envolvendo a pesquisa com animais, propiciando maior transparência nos estudos realizados pelos cientistas.


Assista o vídeo da campanha:
www.eticanapesquisa.org.br/tvonline


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Portal dos Fármacos - Uso de animais em Laboratório


Foto: Iberê Tenório/G1
Portal dos Fármacos - Uso de animais em Laboratório
Prof. Marcelo Morales
- UFRJ -


Portal dos Fármacos - Uso de animais em Laboratório


Portal dos Fármacos - Uso de animais em Laboratório


Divulgação
Portal dos Fármacos - Uso de animais em Laboratório
Dr. Jonas é o personagem do Facebook “Ética na Pesquisa”

























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